terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Testemunho - Marta e a sua paixão pelosLivros

Marta tem 11 anos e é uma frequentadora assídua da nossa BE. Chamou-nos a atenção não só pelo número de livros que lê como pela rapidez com que o faz.Numa conversa ocasional, que tive com ela, propus-lhe que escrevesse um pequeno texto que falasse da sua paixão pela leitura. Partilho convosco o seu testemunho encantador que nos estimula à pratica da leitura pela forma entusiasta com que fala do amor que tem pelos livros.


"MELHOR QUE UM FILME
            Em pequena nunca gostei muito de ler. A minha mãe podia dizer “Marta, lê o livro que te deram”, eu dizia que sim mas na verdade não o fazia, lia algumas páginas e depois saltava logo para o fim.
            Os livros não me diziam nada, ao contrário da minha irmã que adorava ler. O que eu gostava era de ver filmes e séries, não aqueles que só têm lamechices mas sim os de ação.
            Gostava que as pessoas me dessem livros de ação, em vez disso davam-me “Diário de uma Totó” e “7 irmãos” os que li e tinham mais ação foi “Avozinha Ganster” e “Doutora tira dentes”.
            Ás vezes pedia à minha mãe para me comprar um livro, o meu erro era basear-me na capa e depois quando chegava à altura de o ler não gostava, mas a minha mãe obrigava-me dizendo “-Fui eu gastar dinheiro, para tu não o quereres, para a próxima não te compro nada, mas agora tens de o ler.”
            Aos nove anos comecei a ler mais e aos dez nem queiram saber como a minha bibliotecária, a professora Cristina, diz eu sou uma leitora compulsiva, começo e nunca mais paro.
            Comecei a ler mais com esta idade por causa de uma menina da natação chamada Ana, uma das melhores amigas da minha irmã.
            Tudo começou quando lhe deram um livro pelos anos, “Um dia Negro”, a Ana adorou-o e quis logo emprestá-lo a uma amiga, neste caso a amiga foi a minha irmã. A minha irmã, Mafalda leu-o em dois dias e também gostou muito da história.
            Elas começaram a comprar livros daquela coleção e a mostrá-los a mais raparigas da natação até que um dia formaram um círculo de leitura na natação.
            Eu nunca tinha lido nenhum livro daquela coleção mas pelo que a minha irmã me contava, eu pensava que aquilo era uma estupidez, pensava que era muito infantil para uma menina de treze anos como a minha irmã.
            Um dia estava em casa da minha avó, não tinha nada para fazer então decidi pegar num livro daquela coleção que a minha irmã se tinha esquecido de levar para casa.
            Li as primeiras páginas e para meu espanto gostei, sempre tinha achado que os livros não eram bons mas agora que estava a ler um deles, percebi que estava enganada e o porquê minha irmã gostar tanto deles.
            Foi a primeira vez que li um livro em tão pouco tempo, li-o em três dias e daí seguiu-se o resto da coleção, um conjunto de vinte e quatro livros.
            Assim que acabava de ler um livro queria logo começar outro mas o dinheiro não estica por isso tinha de procurar alguém que me empresta-se.
            Foi difícil encontrar todos mas fiquei tão viciada que em cinco meses ou menos já tinha lido a coleção inteira.
            As minhas amigas chamavam-me viciada e diziam que era para eu parar de ler, eu só dizia “Só dizem isso porque nunca gostaram tanto de um livro como eu gosto dos desta coleção”.
             Senti uma coisa estranha dentro de mim enquanto lia estes livros.
            Eu estava a ler um livro, estava super  concentrada e do nada a minha mãe chama-me “Marta, vem pôr mesa!” ou “Marta, vem jantar” eu digo “Já vou, deixa só acabar a página”. É como se tivéssemos de pôr na pausa na parte mais emocionante de um filme é difícil mas tens de o fazer. Normalmente, quando isso acontece despacho-me rápido ou fico de mau humor por ter de interromper a minha leitura.
            Enquanto lia os livros desta coleção eu sentia as emoções das personagens, sabia como eram os lugares onde iam, como era cada personagem e como era o seu tom de voz, sabia tudo isto através da minha imaginação não através das imagens do livro porque neste caso o livro nem sequer tem imagens.
            Não gosto quando os livros têm imagens pois nós imaginamos uma coisa e depois aparece um imagem e temos de a imaginar de outra maneira temos de seguir os desenhos a escolha de como o sítio vai ser é da imagem não nossa.
            Na minha opinião nenhum livro exceto as bandas desenhadas devia ter imagens. Para que serve um livro se não podemos imaginar? Se não podemos deixar a nossa maginação voar? Como querem que as pessoas gostem de ler se têm de pensar nas coisas consoante os desenhos?
            As pessoas têm de saber sentir um livro, têm de o saber apreciar, só sabemos que gostámos mesmo de um livro quando demonstra-mos emoções. Eu sei que gostei do livro não só por sentir as emoções das personagens mas sim porque consegui projetar na minha mente a história, aliás todas as histórias de todos os livro. Se voltar a ler o mesmo livro sei que vou chorar nas partes em que chorei da primeira vez, sei que vou ficar feliz e animada nas partes em que fiquei quando li na primeira vez.
            Pensar que os episódios vividos nos livros são a vida real torna a vida mais divertida e interessante.
            Acho que se não gostarmos de ler é porque somos diferentes de todos os outros e não sabemos aproveitar o que os livros nos dão ou ainda não encontramos a coleção ou o livro ideal.
            Eu não consigo definir todas as emoções, todas as sensações que sinto ao ler um livro à partes que chegam mesmo a ser assustadoras mas eu não me importo porque sei que só me sinto assustado porque estou a entender o livro, porque sei que na minha mente estou a viver o livro.
            Acho ao contrário do que muita gente pensa, ser escritor é uma profissão muito importante, às vezes uma frase, uma palavra ou um livro pode mudar a vida a um ser humano.
            Eu aprendi que os livros não são conjuntos de letras, são verdadeiros filmes aqueles que tu não perderias por nada, mesmo que o mundo estivesse a acabar tu tinhas de o ver.
            Não é preciso um ecrã de televisão para veres uma cena policial só precisas de utilizar a tua imaginação e um livro pode tornar-se mil vezes melhor do que um filme.
            Agora isto é uma verdade e ninguém deve duvidar um livro vale milhões, vale ouro, vale mais do que centenas ou mesmo milhares de filmes e séries.
            Nunca digas que ler é desperdiçar o tempo porque estás muito enganado."

                                                                                                      Marta  Martins





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